sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Momentos de transição

Há dias em que tudo parece dar errado. As coisas não se encaixam, as energias não batem e a gente não se entende.

A gente põe a culpa nas mais diversas situações, porque na verdade às vezes é difícil encontrar um único fator que desencadeia uma insatisfação.

Quando as coisas desandam, dificilmente se perde uma única esfera da nossa vida. O trabalho se complica, a vida social fica comprometida e até mesmo os relacionamentos são afetados por momentos de crise.

E a gente clama por mudanças, estipula prazos e espera que as coisas se resolvam e se transformem para que se recupere a tão sonhada paz.

A má notícia é que depois de momentos de caos, de perda de equilíbrio, de nada adianta esperar por um fator que mude as nossas vidas. A mudança tem que partir de nós.
Sabe aquela frase que circula por ai: "seja a mudança que você quer no mundo"? Pois é. É disso que estou falando.

Para que as coisas mudem, nós temos que mudar. Nem que seja de perspectiva.
Quando a gente muda, as coisas e a forma de ver as coisas mudam.

Vamos respirar e pensar nas possibilidades. 
O que eu posso fazer na minha vida HOJE para deixar o meu AMANHÃ mais próximo daquilo que eu desejo?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O corpo fala

E chega o dia em que a gente cansa.
Cansa de esperar, cansa de se estressar, cansa de repetir as mesmas palavras furadas, cansa o corpo e a alma.

Às vezes o cansaço vem na hora. O fato acontece e pá! Bate a bobeira, a vontade de ficar na cama, de tomar um banho e não sair mais debaixo daquela água quente que cai sobre nossa cabeça.
Às vezes demora. Tem gente que é do tipo que guarda. Cada gotinha que cai fica ali, alterando o estado das coisas. Parece silenciosa... Só parece.

Chega o momento em que o copo transborda.
Escorre indiscriminadamente o líquido e molha toda a superfície. Uma vez molhada, não é mais possível nega o fato: o corpo fala! 
Enquanto a gente demora para escutar, ele sofre.

Ai vem a sessão interminável de sintomas físicos. 
A cabeça dói, o coração dispara. 
Ou a gente pára ou continua negando ao corpo (e a mente) o direito de se expressar apesar da boca dizer não.

O corpo pede: "descansa". A consciência diz: "não".
O corpo paga.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vivemos esperando dias melhores

Deparar-se com a morte talvez seja uma das mais complexas dificuldades do ser humano.
Vivemos como se fossemos durar para sempre mas sabendo que nosso prazo de validade um dia se extinguirá.
A morte é a nossa única certeza entre tantas as nossas dúvidas.

Vivemos sem saber nosso dia de partida.
Às vezes ao acordarmos não imaginamos o que nos reserva o dia. Este pode ser nosso último dia, nossa última chance de viver.
Exatamente por não sabermos quando tudo termina que precisamos valorizar cada dia.
A gente passa uma vida em busca de algo que nos faça ser feliz, que nos faça sentir realizados.
Vivemos em função de objetivos e pode ser que, em meio a tantos planejamentos, não sobre tempo para colocar em prática.

Ou então, um belo dia a morte vem e carrega de nós alguém que nos é querido.
Nunca estaremos preparados. Por mais previsível que as situações sejam.

Valorizemos os instantes compartilhados. Não percamos tempo com mágoas e ressentimentos.
Porque no fim nada disso importa.

domingo, 19 de agosto de 2012

Da difícil arte de conviver

Viver é uma arte. Às vezes é uma arte que nos exige muita paciência. Relacionar-se com as pessoas não é uma coisa fácil.

Há momentos em que por motivos pessoais ou por qualquer outra questão envolvida, as pessoas vão nos magoar. 
Há pessoas que não calculam o quanto suas atitudes são capazes de acabar com o dia de alguém.
Vivem suas vidas baseadas no agora e pouco ligam para as consequências de suas palavras. Disparam-nas como flechas desgovernadas e venenosas.

Surpreendemo-nos todos os dias com as decepções que as pessoas nos causam.
Descobrimos que um belo sorriso pode esconder um coração perverso.
Descobrimos também que muitas delas têm memória curta e simplesmente vivem como se nada tivessem a nos dizer ou como se pedir desculpas apagasse alguns de seus atos.

Difícil não parar por um momento e levantar um escudo que nos proteja de todo e qualquer mal. A vontade é fechar-se para o mundo e não confiar em mais ninguém.

Não guardemos rancor. Cada um é responsável por tudo aquilo que faz e prestará contas de suas atitudes no momento certo.
A gente acaba descobrindo que confiar demais ou de menos é um equívoco.

Cedo ou tarde as pessoas nos mostram sua real intenção.
As máscaras sempre caem. Não porque a gravidade as obrigue, mas porque são pesadas demais para serem mantidas por muito tempo.

Não nos apeguemos com quem não tem a mesma sintonia.
Continuemos em frente apesar dos pesares. Sempre há motivos para acreditar.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O dever e o prazer

Ah, que coisa mais boa poder fazer somente aquilo que nos dá prazer, poder escolher fazer o que nos agrada, o que nos traz satisfação.
Desde pequenos, somos treinados (ou deveríamos ser) a pequenas frustrações. Desde cedo aprendemos que temos obrigações, que não se pode tudo a toda hora.
O dia está frio lá fora, a vontade de ficar deitado embaixo das cobertas é mais forte do que a pressão social do trabalho. Mas somos chamados a cumprir um papel, exercer uma função e não é mais possível em certa altura optar por um caminho diferente.
E assim seguimos diariamente. Por mais prazeroso que seja nosso trabalho, há momentos em que somos chamados a atuar em situações que possam causar desconforto.
O que nos resta? Ou nos conformamos e assumimos os compromissos que a vida adulta nos apresenta ou sofremos as consequências que cada ato nos reserva.
Nem sempre as escolhas são fáceis. Mas precisamos pesar os elementos e equilibrar nossa balança.
Não é possível viver só de prazeres porque as frustrações estão ai a nos trazer pequenas doses de realidade diariamente.
Quanto antes nos acostumarmos com essa ideia, antes deixaremos de sofrer com aquilo que muitas vezes não podemos controlar. Encontremos em cada situação um motivo para nos manter firmes, porque no final, compensa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cuidando do cuidador


Na minha profissão, meu “fazer” é basicamente oferecer apoio e cuidado àqueles que buscam auxílio psicológico. Seja por estarem fragilizados ou por buscar um maior conhecimento a respeito de si e de suas respostas às situações cotidianas, as pessoas esperam ser acolhidas quando se encontram frente a frente com um psicólogo.

Trabalhando em uma equipe interdisciplinar, muitas vezes o cuidado fica restrito a população que nós, enquanto profissionais, atendemos.

Em certos atendimentos, deparamo-nos com situações onde há muita vulnerabilidade e faz-se necessário um trabalho de apoio e fortalecimento de vínculos e inserção dessas famílias nos serviços básicos da rede onde eles estão territorializados.

Nessas situações, fica uma importante reflexão a respeito do cuidado com o cuidador, com a equipe que atende essas pessoas. Pois é. Isso é de fundamental importância! Dar escuta a quem escuta, cuidar de quem cuida.
A equipe precisa de um mínimo de cuidado consigo mesma para poder oferecer cuidado para com os usuários do serviço.
E como se dá esse cuidado? Ele acontece?

Como eu posso cuidar do meu colega? (Não só na área da saúde, assistência, mas meu colega de trabalho que também contribui para o bom andamento e resultado do trabalho final).

Trabalho em equipe é difícil, mas é essencial para começar o cuidado com o cuidador. É importante trocar, dividir, auxiliar e principalmente respeitar o trabalho do colega.

Quando nos sentimos cuidados, ficamos mais seguros para resolver as situações de trabalho. Quando somos cuidados, é possível o verdadeiro e efetivo cuidado com o outro.
Com base nessas reflexões, estamos sendo cuidados? Estamos cuidando dos nossos colegas?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Saudade, saudade...

Sabe aqueles momentos em que a gente sente toda a saudade do mundo de alguém? Aquele tipo de saudade que a gente tem que se estende até às coisinhas mais irritantes que a pessoa faz? Coisas do tipo querer saber onde a gente vai, com quem a gente vai sair e a que horas vai voltar? Pois é.

A distancia daquele que amamos tem disso. E o que fazer para aliviar este aperto?
Ô bendita internet que tem a capacidade de nos aproximar, mesmo que virtualmente. Ah, se não fosse essa ferramenta!

Quem dera ela nos permitisse tocar, abraçar, ganhar um colo.

Saudade é uma coisa engraçada. E nunca fomos educados para sentir saudade. E ela às vezes é inevitável. 
As pessoas se afastam. Não por vontade, mas às vezes por necessidade de alçar vôos mais longos.

Nossa caminhada é repleta de partidas e chegadas. Nos afastamos de uns e encontramos outros.
O coração é assim mesmo: plástico. Não DE plástico. Plástico de plasticidade, que estica, se estende. Plástico porque é capaz de acomodar muitas situações, sentimentos, pessoas. E a saudade onde fica? Fica ali alargando o coração. 

Sentir saudade nos remete a coisas boas. Já escrevi sobre isso. Acho que porque já senti isso antes e sei que ela vai me acompanhar sempre. Fica mais fácil com o tempo. Eu garanto.

Mas quem disse que não é bom sentir saudade? Ela com certeza torna o reencontro ainda mais interessante.