domingo, 19 de agosto de 2012

Da difícil arte de conviver

Viver é uma arte. Às vezes é uma arte que nos exige muita paciência. Relacionar-se com as pessoas não é uma coisa fácil.

Há momentos em que por motivos pessoais ou por qualquer outra questão envolvida, as pessoas vão nos magoar. 
Há pessoas que não calculam o quanto suas atitudes são capazes de acabar com o dia de alguém.
Vivem suas vidas baseadas no agora e pouco ligam para as consequências de suas palavras. Disparam-nas como flechas desgovernadas e venenosas.

Surpreendemo-nos todos os dias com as decepções que as pessoas nos causam.
Descobrimos que um belo sorriso pode esconder um coração perverso.
Descobrimos também que muitas delas têm memória curta e simplesmente vivem como se nada tivessem a nos dizer ou como se pedir desculpas apagasse alguns de seus atos.

Difícil não parar por um momento e levantar um escudo que nos proteja de todo e qualquer mal. A vontade é fechar-se para o mundo e não confiar em mais ninguém.

Não guardemos rancor. Cada um é responsável por tudo aquilo que faz e prestará contas de suas atitudes no momento certo.
A gente acaba descobrindo que confiar demais ou de menos é um equívoco.

Cedo ou tarde as pessoas nos mostram sua real intenção.
As máscaras sempre caem. Não porque a gravidade as obrigue, mas porque são pesadas demais para serem mantidas por muito tempo.

Não nos apeguemos com quem não tem a mesma sintonia.
Continuemos em frente apesar dos pesares. Sempre há motivos para acreditar.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O dever e o prazer

Ah, que coisa mais boa poder fazer somente aquilo que nos dá prazer, poder escolher fazer o que nos agrada, o que nos traz satisfação.
Desde pequenos, somos treinados (ou deveríamos ser) a pequenas frustrações. Desde cedo aprendemos que temos obrigações, que não se pode tudo a toda hora.
O dia está frio lá fora, a vontade de ficar deitado embaixo das cobertas é mais forte do que a pressão social do trabalho. Mas somos chamados a cumprir um papel, exercer uma função e não é mais possível em certa altura optar por um caminho diferente.
E assim seguimos diariamente. Por mais prazeroso que seja nosso trabalho, há momentos em que somos chamados a atuar em situações que possam causar desconforto.
O que nos resta? Ou nos conformamos e assumimos os compromissos que a vida adulta nos apresenta ou sofremos as consequências que cada ato nos reserva.
Nem sempre as escolhas são fáceis. Mas precisamos pesar os elementos e equilibrar nossa balança.
Não é possível viver só de prazeres porque as frustrações estão ai a nos trazer pequenas doses de realidade diariamente.
Quanto antes nos acostumarmos com essa ideia, antes deixaremos de sofrer com aquilo que muitas vezes não podemos controlar. Encontremos em cada situação um motivo para nos manter firmes, porque no final, compensa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cuidando do cuidador


Na minha profissão, meu “fazer” é basicamente oferecer apoio e cuidado àqueles que buscam auxílio psicológico. Seja por estarem fragilizados ou por buscar um maior conhecimento a respeito de si e de suas respostas às situações cotidianas, as pessoas esperam ser acolhidas quando se encontram frente a frente com um psicólogo.

Trabalhando em uma equipe interdisciplinar, muitas vezes o cuidado fica restrito a população que nós, enquanto profissionais, atendemos.

Em certos atendimentos, deparamo-nos com situações onde há muita vulnerabilidade e faz-se necessário um trabalho de apoio e fortalecimento de vínculos e inserção dessas famílias nos serviços básicos da rede onde eles estão territorializados.

Nessas situações, fica uma importante reflexão a respeito do cuidado com o cuidador, com a equipe que atende essas pessoas. Pois é. Isso é de fundamental importância! Dar escuta a quem escuta, cuidar de quem cuida.
A equipe precisa de um mínimo de cuidado consigo mesma para poder oferecer cuidado para com os usuários do serviço.
E como se dá esse cuidado? Ele acontece?

Como eu posso cuidar do meu colega? (Não só na área da saúde, assistência, mas meu colega de trabalho que também contribui para o bom andamento e resultado do trabalho final).

Trabalho em equipe é difícil, mas é essencial para começar o cuidado com o cuidador. É importante trocar, dividir, auxiliar e principalmente respeitar o trabalho do colega.

Quando nos sentimos cuidados, ficamos mais seguros para resolver as situações de trabalho. Quando somos cuidados, é possível o verdadeiro e efetivo cuidado com o outro.
Com base nessas reflexões, estamos sendo cuidados? Estamos cuidando dos nossos colegas?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Saudade, saudade...

Sabe aqueles momentos em que a gente sente toda a saudade do mundo de alguém? Aquele tipo de saudade que a gente tem que se estende até às coisinhas mais irritantes que a pessoa faz? Coisas do tipo querer saber onde a gente vai, com quem a gente vai sair e a que horas vai voltar? Pois é.

A distancia daquele que amamos tem disso. E o que fazer para aliviar este aperto?
Ô bendita internet que tem a capacidade de nos aproximar, mesmo que virtualmente. Ah, se não fosse essa ferramenta!

Quem dera ela nos permitisse tocar, abraçar, ganhar um colo.

Saudade é uma coisa engraçada. E nunca fomos educados para sentir saudade. E ela às vezes é inevitável. 
As pessoas se afastam. Não por vontade, mas às vezes por necessidade de alçar vôos mais longos.

Nossa caminhada é repleta de partidas e chegadas. Nos afastamos de uns e encontramos outros.
O coração é assim mesmo: plástico. Não DE plástico. Plástico de plasticidade, que estica, se estende. Plástico porque é capaz de acomodar muitas situações, sentimentos, pessoas. E a saudade onde fica? Fica ali alargando o coração. 

Sentir saudade nos remete a coisas boas. Já escrevi sobre isso. Acho que porque já senti isso antes e sei que ela vai me acompanhar sempre. Fica mais fácil com o tempo. Eu garanto.

Mas quem disse que não é bom sentir saudade? Ela com certeza torna o reencontro ainda mais interessante.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um dia a gente aprende. E será que aprende?

Um dia a gente aprende a não se estressar com as pequenas intempéries do cotidiano. É difícil.
Tem dias que simplesmente tudo parece dar errado. Ou há dias em que as coisas até se encaminham bem, mas um detalhe (na maioria das vezes nada importante) faz o copo transbordar e toda a paciência e boa vontade vão por água abaixo.

Nessas horas, as pequenas coisas se transformam em grandes coisas e todas as conquistas do dia parecem diminuir ou perder o valor no equilíbrio natural.

De nada adianta fazer cara feia.
Os probleminhas não desaparecem com caretas, birras e meninices.
Eles ficam ali a nos encarar e a dar risada dos nossos atropelos e da falta de capacidade que nos encontramos. Parecem até se divertir.
O que nos resta se não encarar de frente e "tirar de letra"?

Um dia a gente aprende a não se deixar afetar pelas coisas que não podemos controlar.
Um dia a gente ganha uma dose de paciência extra e enfrenta as adversidades com um sorriso mais largo no rosto.

Porque às vezes é só isso. Sorrir e esperar passar.
Algumas situações realmente são desagradáveis. Se estressar, bater pé e se deixar "estragar" não vai resolver absolutamente nada.

É preciso exercício forte de canalização para que a gente possa não se abater com essas coisas. Atitude esta que a gente carrega para todos os âmbitos da vida. E funciona. Se funciona! Canalizar essa energia planejando coisas boas, fazendo aquilo que nos agrada, enfim.

Mas é preciso uma boa dose de disponibilidade. E de força de vontade. E de paciência. Parece muito. Mas aos poucos a gente aprende.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Recomeçar é preciso.


Nos renovamos todos os dias e passamos por diversas transformações ao longo da vida que fica impossível dizer que continuamos os mesmos de anos atrás. Somos atravessados por inúmeros fatores e eles vão nos moldando, nos adaptando para as novas configurações que se apresentam para nós.

Para todos os finais de ciclo, novos ciclos se iniciam e é preciso adaptar-se para seguir em frente da forma mais tranquila possível.

Estamos acostumados com hábitos, formas e cores das situações que nos cercam, seja trabalho, estudo, relacionamentos. Quando este terreno familiar se desestabiliza, leva com ele um pouco do nosso próprio equilíbrio.

Mas para que as coisas se encaixem, é preciso um pouco de desorganização. Sim, isso mesmo.

Quando tudo está certo, dado, familiar e sob controle, geralmente não precisamos nos preocupar com a linha do tempo e com o rumo das coisas. Elas parecem acontecer naturalmente.

Quando algo sai do nosso controle, “sacode” nossa vivência e faz com que a gente precise repensar o caminho escolhido, as direções que tomamos e como traçaremos o novo percurso a ser seguido.

Novos ciclos se fazem necessários. Recomeçar a caminhar por caminhos desconhecidos, às vezes assusta.

Mas é preciso força de vontade para se adaptar. Esse é um processo doloroso. Abrimos mão daquilo que foi confortável e apostamos no incerto. Não ter controle mexe com algo muito íntimo nosso.

Mesmo no caminho já conhecido, às vezes precisamos inovar. Mas é preciso estar disponível. O que vamos recomeçar hoje?

quinta-feira, 8 de março de 2012

A hora da despedida

Essa semana queria não ter compromissos. Queria ter podido passar mais tempo recolhida no ninho. Queria ter ficado grudada a todo momento.

Essa semana é a semana de "cair a ficha", do dar-se conta, de perceber como o tempo passa rápido e como a gente tem que aproveitar as pequenas coisas do nosso cotidiano.

Nestes últimos dias percebi o quanto as pessoas são importantes e como elas podem fazer falta nos mínimos detalhes.

Hoje e amanhã são dias de despedida. Não uma despedida permanente, mas uma despedida longa.
E sabe, espero que seja longa, porque quanto mais longa ela for, mais certa vou estar que tudo deu certo como o planejado.

A gente fica. Com o coração na mão.
Mas fica bem, porque tem que ficar, porque precisa esperar e deixar tudo certo para o grande retorno.
Mas um pedaço da gente vai junto. Nem que seja para cuidar dos passos de quem parte.

Tem momentos na vida em que só o que nos resta é desejar "boa sorte e juízo". É, os conselhos se invertem. Os papéis se invertem.

Mas fica a reflexão: aproveitemos de fato os momentos que a gente passa com a família e amigos. Potencializemos cada instante que temos ao lado daqueles que amamos.
Saudade às vezes é inevitável. Mas ela existe para nos lembrar daquilo que foi bom e que, em breve, vai nos brindar mais uma vez.

Boa viagem!