terça-feira, 10 de agosto de 2010

Trabalhar em equipe dá trabalho

Na teoria, o trabalho em equipe é maravilhoso, cheio de benefícios e é uma das formas mais eficazes de uma empresa de qualquer ramo prosperar. Os empresários estão em busca de profissionais que tenham potencial para trabalhar em equipe e que possam assumir um papel importante dentro dela e guiar os demais.

Mas, na prática, não é bem assim que funciona.

Colocar uma equipe multiprofissional em um local de trabalho e esperar que trabalhem juntos por si só é utópico.

A ordem natural das coisas é que cada pessoa dentro desta equipe vai fazer aquilo para o qual foi contratada e seguir sua própria ideologia de trabalho, modelando o ambiente de acordo com a sua forma de desenvolver suas atribuições.

Mesmo em equipes interdisciplinares - equipes onde cada um supostamente trabalha tentando interagir suas funções com as dos colegas - o trabalho em equipe, com o real sentido do conceito, não é tão simples.

Imaginem uma equipe onde diversos profissionais trabalham com formações diferentes, ideologias diferentes e ritmos diferentes. Como fazer para que essas pessoas compartilhem uma opinião e desenvolvam um trabalho homogêneo e eficaz?

Flexibilidade.

Estar disposto a ouvir a opinião do outro e aceitá-la se esta for a decisão da maioria, independente das crenças pessoais. É preciso abrir mão da individualidade pelo bem da coletividade.

Nem todos estão preparados para isso. É um exercício diário e depende muito de investimento. Não somente financeiro, mas também de tempo para que essas mudanças possam acontecer.

Deixar de lado aquela velha máxima que fazer reunião é perder tempo. E otimizar esse momento para que não se torne perda de tempo. Poder fazer valer os princípios do trabalho em conjunto.

Pequenas coisas que, se levadas a sério, facilitam sim a vida de todos os envolvidos nesse processo e, ainda, torna a vida profissional menos complicada e o ambiente de trabalho mais prazeroso.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A fuga da intimidade



Que somos seres egoístas e individualistas, não é de hoje que nossa consciência já nos alertou. Mas não é por isso que me impressiono menos com as situações e com a capacidade que ser humano tem de fugir de situações altruísticas.
Solteirões aos 40 anos, mulheres chamadas "independepentes" (leia-se aqui "que não precisam de homens para serem felizes"), a onda do "só ficar", o medo de envolver-se, pessoas com problemas de relacionamento no ambiente de trabalho, etc.
Claro que sempre fomos assim, buscando nosso sucesso individual, preocupando-nos conosco mesmos acima de qualquer coisa e buscando satisfação sem dor. Isso é humano.
Mas hoje, me parece que a sociedade do vazio instalou-se. A busca por não se sabe o quê, o emprego que não satisfaz, a procura pela utópica alegria constante, a privacidade sem exposição, o amor que nunca chega.
Os consultórios de Psicologia estão repletos que pessoas com a síndrome do vazio. "Tenho tudo e não sou feliz"; "Estou triste, não sei com o que". E há ainda aqueles que conseguem verbalizar o aperto no peito, o vazio, mas que não sabem o que fazer com isso nas mãos.
Há uma intensa fuga de relações íntimas. Seja por falta de investimento ou por medo de envolvimento, os relacionamentos estão mais fugazes hoje. Não falo somente de relações amorosas, mas de relações em geral.
Colegas de trabalho que não sabem nada da vida pessoal do outro (se é casado, se tem filhos, se mora na mesma cidade); colegas de aula de quem nem sabe o nome; casais que se encontram "na noite" e não fazem questão de manter contato posterior.
Situações simples, mas que nos mostram o quanto o contato com o outro já não é mais importante e também não é mais nossa prioridade.
Por que não nos interessa saber um pouco mais sobre as pessoas? Será que isso não nos ajudaria a entender o porquê de algumas dificuldades que elas têm? Isso nos tornaria mais vulneráveis ou menos profissionais?
Tentando evitar o sofrimento, muitas vezes sofremos de outra forma e, nesse caso, de privação. Privação dos bons momentos que a intimidade e o envolvimento com o outro pode nos proporcionar.
Sofrer, é inevitável.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O mito do relacionamento perfeito



Abro a Zero Hora (Jornal de grande circulação na zona metropolitana de Porto Alegre) deste domingo e um dos cadernos traz a notícia do final do casamento de Edson Celulari e Cláudia Raia, depois de 17 anos de união.
Nesta mesma postagem, exemplos de outros casamentos perfeitos que chegaram ao fim e outros que ainda nos servem de exemplo de como o amor é maravilhoso e blá blá blá.
As pessoas se espelham em casais famosos dos quais consideram o relacionamento como algo beirando a perfeição e almejam que seus próprios relacionamentos estejam dentro dos parâmetros estabelecidos por eles.
Mas o que esses relacionamentos têm de tão maravilhoso e que nos faz desejar estar no mesmo patamar?
Os sorrisos nas fotos, a cumplicidade nos eventos cobertos pela mídia, a química que rola em lugares públicos. Isso sim, não estou discutindo essa questão. Mas o mais importante: os pontos baixos do relacionamento não vem à tona para o grande público e acho que, este cuidado, é o que os torna tão imaculados.
Cada pessoa é diferente e cada relacionamento tem seu valor.
As escolhas que fazemos de nossos parceiros(as) não é por acaso. Elas são somas de características e sensações que nos agradam o olhar, que nos aquecem o coração e de alguma forma fazem-nos revelar o melhor de nós mesmos.
Isso é garantia de felicidade?
Talvez não. Mas são ferramentas que nos permitem lapidar a relação e descobrir, além dos defeitos (que aparecem e são teimosos em retornar), as "perfeições" que cada um traz dentro de si.
Não acredito em relacionamentos perfeitos porque não acredito em pessoas perfeitas. Altos e baixos fazem parte da vida.
A convivência com nós mesmos às vezes já é uma tarefa árdua por si só.
Buscamos no outro aquilo que falta em nós mesmos, mas nem sempre esse outro nos preenche como gostaríamos. Isso é humano: estar sempre desejando, sempre em falta, sempre a procura.
Buscar aperfeiçoar a nós mesmos dentro de uma relação, já faz com que ela tenha boas condições para seguir em frente e prosperar. Buscar no outro complementos para nossos desejos nos faz amar sem esperar demais. Porque afinal são dois, e o sucesso de qualquer relacionamento depende de duas pessoas.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Romance perdido

Não sou muito adepta a ler o livro da hora, assistir o filme mais comentado e etc. Acho que no fundo acabamos influenciados pela torrente de opiniões contrárias e favoráveis que cada obra produz em nós e acabamos por perder a essência verdadeira do que nos foi provocado.

Semana passada, li o tão comentado "Crepúsculo", livro/filme que gerou diversas opiniões entre fãs, admiradores e críticos . Movida pela curiosidade, assisti também o filme.

Logo que comecei a leitura, lembro-me que o caso Bruno (é, o goleiro), estava bastante em evidência e chocou-nos pelo total desrespeito à figura feminina e nos trouxe à tona a futilidade/banalidade dos relacionamentos atuais.

Ao postar no Twitter que iniciara a leitura do tal romance, um amigo comentou que diante de todo esse horror noticiado pela mídia, não se importava que a filha assistisse e se encantasse tanto com a história e personagens do livro/filme.

Para os leitores que não assistiram, o livro/filme traz a essência do amor romântico "a la Romeu e Julieta" mesmo. Um homem se apaixona por uma mulher e a venera como o ser mais importante da sua vida, conferindo-lhe valor e estima incalculáveis e, partindo deste sentimento, faz o impossível para protegê-la de todo o mal que possa se aproximar dela.

Parece algo tão meloso e tão "bobo" nos dias de hoje, mas não é. Não é a toa que o filme arrasta multidões de adolescentes frenéticas (e outros fãs, é claro) aos cinemas. Não é a beleza do personagem do filme. É o sentimento, tão ausente nas relações de agora.

O que estamos presenciando em termos de relacionamento hoje em dia? Caso Bruno, caso Mércia, e outros tantos estão ai para nos mostrar como as mulheres são descartáveis. O número de casos investigados pelas delegacias da mulher espalhadas pelo Brasil se multiplicam absurdamente.

E por que isso acontece?

A banalização dos valores e da vida nunca esteve tão presente como nos nossos dias.

Com todos os direitos conquistados, com o esmagador número de mulheres frequentando e concluindo o ensino superior, elas ainda são vistas como inferiores aos homens e por isso, menos dignas de respeito. Parece absurdo falar disso em pleno ano 2010, mas é nítido. (Vide caso Geisy Arruda).

Por isso o filme encanta. Digam os contrários a ele que é meloso, exagerado ou o que quiserem dizer. O filme resgata algo que hoje foi perdido ou deixado de lado: o romance. Não aquele romance de exageros, mas o simples romance. Romance do olhar, do respeito, da entrega, do viver intensamente os sentimentos.

Onde estão os "Edwards" de hoje? Casados certamente. Porque nenhuma "Bela" seria boba de deixá-los passar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Acessibilidade verdadeira



Que eu sou psicóloga não é nenhuma novidade. Trabalho numa Ong destinada ao atendimento de pessoas portadoras de necessidades especiais e educacionais, ou seja, pessoas que possuem alguma "deficiência" física ou intelectual. E aqui não me refiro à deficiência como falta de eficiência.

Acho interessante ver a resiliência em ação.

Resiliência é a capacidade que todo ser humano possui de passar por situações difíceis sem se vitimizar ou abater ao ponto de desenvolver patologias e ainda aprender com as experiências ruins.

No meu trabalho, vejo pessoas em busca de melhores condições e lutando para serem reconhecidas como sujeitos e cidadãos, tomando conhecimento de seus direitos e cobrando das autoridades pela tal acessibilidade.

Pessoas essas que têm suas limitações e que apesar disso continuam ai, colocando-se na sociedade, todos os dias.

As empresas, pela lei das cotas, precisam abrir processo seletivo para os portadores de necessidades especiais. Mas isso não é suficiente. Disponibilizar vagas é de extrema importância, visto que ameniza a exclusão dos sujeitos do mercado de trabalho.

O que tem acontecido com certa frequência, é que as empresas não estão preparadas para receber essas pessoas. As empresas são deficientes!

Muitas delas não possuem rampas, elevadores, corrimão, banheiros adaptados para usuários de cadeiras de rodas, intérpretes para surdos/mudos, entre outras deficiências (das empresas, é claro). E aqui falo da deficiência como falta de eficiência.

Acessibilidade fala disso, de permitir acesso total a qualquer pessoa.

E não precisamos pensar somente a nivel trabalhista. Pensemos nas ruas da cidade, nas lojas, supermercados, cinemas e shoppings. Utilizar muletas ou de cadeira de rodas não é uma tarefa fácil nesses locais.

A busca por essa acessibilidade é uma luta contínua e precisa de todos nós para que fique cada dia mais possível. Pode ser que não precisemos desses recursos hoje, mas é nosso dever lutar pelo direito dos que precisam.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Saudade boa x Saudade ruim


Estava nas minhas diversas postagens no Twitter quando posto a singela frase: "Saudade das coisas que não voltam mais." Logo em seguida, um amigo em reposta me diz que esse tipo de saudade faz mal e que devemos sentir saudade apenas das coisas que podem voltar.
Saudade, para quem sente, parece uma coisa ruim, negativa. Mas eu penso diferente. Sinto saudade apenas das coisas, situações e pessoas que foram marcantes, prazerosas e que me trouxeram felicidade.
Não conheço ninguém que sinta saudade de um acidente de carro, uma viagem frustrada, um tratamento de canal, um chefe autoritário, uma pessoa falsa.
Existem coisas na nossa vida que não vão voltar, que não é possível viver novamente. A viagem que fizemos com amigos na época da faculdade, as disciplinas que mudaram nossos pontos de vista durante os anos de escola... Detalhes que vivemos num passado que, seja por falta de tempo ou de oportunidade, não voltam.
Mesmo que as refizessemos tal qual foram na época, jamais seriam iguais, porque nós mudamos.
Converso com pessoas que falam como sentem falta da vida que levavam quando eram solteiras (e todos nós sentimos em algum momento), por exemplo. Sentem falta das festas, de sair entre amigos, do descompromisso.
Ok.
Penso da seguinte forma; o tempo apaga detalhes importantes quando se trata de saudade. Lembramos apenas das coisas boas que aconteciam em tal época. Será que esquecemos dos domingos à tarde em companhia do Faustão? Dos dias dos namorados sem um cobertor de orelha? Será que lembramos o quanto queríamos estar justamente na situação em que estamos hoje?
É, um dia vamos sentir saudades dessa época que vivemos hoje, do namorado que temos hoje (que mesmo que seja o mesmo namorado, já será diferente amanhã), do trabalho que temos hoje, dos programas que fazemos hoje, dos amigos que temos hoje.
Quem sabe começamos a ter saudades do hoje, agora mesmo?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Drama nosso de cada dia


Assisti na semana passada um filme chamado "Desejo e Reparação". Gênero: drama. É, drama.

Quando estou procurando um filme para assistir na televisão, vou direto aos suspenses, à ação, à ficção. Acho que com todo mundo é mais ou menos assim. Quando lê a sinopse de um filme e percebe que um drama se aproxima, logo troca de opção.

Mas por quê? Por que evitamos o drama no cinema?
Simples.

Nos filmes de ação, aventura, romance, comédia e outros, podemos fantasiar e vibrar junto com nossos heróis e personagens a cada evento do filme.

Rimos dos desastres amorosos, vibramos com as explosões, angustiamos com a fuga das vítimas de um cruel assassino. E conseguimos nos distanciar desse mundo fantástico vivido pelos atores. Somos apenas espectadores.

No drama isso não é possível. Ele mexe com algo muito mais profundo da nossa essência: nossas dores e frustrações.

Enquanto nos outros gêneros de filme podemos esperar uma reviravolta extraordinária (e é isso que nos move até o final da história), no drama isso não é possível, pois o final já se anuncia na descrição do filme.

Mocinho conhece mocinha e ambos vivem um amor mágico e trágico. Não ficarão juntos no final. E essa é a razão pela qual esses filmes não nos atraem. Já vivemos quantidades suficientes de dramas diários para suportar mais essa perda.

No drama, há quem aprecie e consiga ver beleza na perda, na dor, no desencontro. Admiro-os.

Ao assistir dramas, fica apenas a sensação de fantasia inacabada. Como no filme supracitado. A gente espera a tormenta passar para então ver objetivo em tanta espera, tantas lágrimas. E o objetivo acaba sendo apenas esse: mostrar-nos o lado doloroso da vida.

Continuarei assistindo aos dramas e encararando nossos próprios dramas cotidianos em cada um deles. Às vezes nos faz bem.