segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Carta para Francisco


Hoje eu só queria dizer o quanto a minha vida mudou desde aquele 22/04/14. Dizer que eu não me lembro nem do que eu almocei ontem, mas me lembro até o nome da atendente da farmácia onde comprei o teste (Franciele).
Lembro que entrei naquele cubículo de banheiro e aguardei por pequenos 5 minutos, mas que nesse curto tempo imaginei desde o dia do teu nascimento até a tua formatura na faculdade.
Ali na minha frente estava o teste mais difícil que eu já fiz. Difícil porque nada nesse mundo nos prepara para a imensidão que está por vir.
Cada semana depois dali parecia um mês. Cada mês parecia um ano. E por incrível que pareça, depois que nasceste, cada ano parece um mês e cada mês parece uma semana.
Que privilégio ver a formação de um ser humano! Tenho que te dizer o quanto é fascinante te ver crescer e descobrir o mundo. Não, meu filho, não é bobagem. Quando tiveres os teus filhos vais entender o quanto as pequenas coisas engrandecem o coração.
Depois de ouvir o som do teu coração bater na ultrassonografia, te ouvir chamando "mamãe" com certeza é o som mais lindo do mundo. Te ver formando as palavras e comunicando tuas vontades é algo indescritível. 
Preciso dizer, Chico, o quanto eu amo teu sorriso fácil. Me faz lembrar que é preciso muito pouco para ser feliz (bem menos do que a gente corre tanto atrás). Sorriso de filho faz o dia mais terrível terminar em paz.
Antes de ser mãe, imaginava o que estaria fazendo daqui "x" anos. Hoje fico imaginando o que tu vais estar fazendo e rezando a Deus para que eu esteja por perto para ver cada conquista.
Um ano e dez meses! Obrigada, filho, por me ensinar que a cada dia podemos fazer melhor. Que erros e acertos fazem parte da nossa jornada, mas que acima de tudo ela é marcada por muito, mas muito amor.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Reta Final - Ansiedade e temor

Encerramos nessa semana o segundo trimestre da gravidez e damos início ao sétimo mês. Muita coisa importante aconteceu em termos de desenvolvimento fetal e muita coisa importante ainda vai acontecer no desenvolvimento do papel mais fundamental nessa trama toda: o papel de mãe.

Na ultrassonografia morfológica, descobrimos ser um lindo meninão, que já tinha nome de santo antes de confirmarmos o sexo: Francisco. Tudo corre as mil maravilhas, o barrigão cada dia mais aparente, os movimentos dele cada vez mais fortes. Cada fase da gestação é uma descoberta que vai estreitando esse laço tão forte com um "serzinho" que ainda nem nasceu, mas que já significa tanto para tanta gente.

Chegou a hora de planejar o chá de fraldas: momento de dividir com amigos e familiares a felicidade da proximidade do nascimento do bebê. 
Também é hora de sonhar acordada com tamanho, peso, cor dos olhos que ele vai ter ao nascer. Sobram apostas para saber se vai ser a cara da mãe ou do pai.

E chega o momento em que a ansiedade dá lugar a um sentimento inevitável e que acompanha todas as futuras mamães (as de primeira viagem então, nem se fala): a hora do nascimento/parto.
Por aqui, correndo tudo dentro da normalidade, optamos pelo parto normal. Desde meus tempos de coordenação de grupos de gestante defendo a ideia de um parto mais natural. Defendo por inúmeros motivos, mas acho que esse é um daqueles momentos muito particulares e que cabe a cada mulher pesar o que é mais benéfico para ela, seja o parto normal, seja cesariana.
Independente de ter escolhido essa opção, sempre bate um medinho. Medo aliás, natural, uma vez que é uma situação desconhecida e tão grandiosa.

Troquei bastante experiências com outras mães e certamente vou discutir amplamente com o obstetra a respeito. Quanto mais bem informada estiver, com certeza também estarei mais tranquila para vivenciar esse momento inesquecível em toda sua plenitude.

No mais, começaram os desconfortos para dormir, as dores nas costas e o ganho de peso. Tudo num nível aceitável e tolerável. Estamos as voltas com a montagem do quartinho e vivendo um momento muito gostoso. Isso ajuda a diminuir os temores e focar no motivo principal de todo esse momento: ver a carinha do Francisco, lindo e saudável no colo dos familiares.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Leigo ou especialista?!

Diante das notícias sobre suicídios e mortes de "famosos" das últimas semanas, não sei definitivamente o que pensar sobre o posicionamento de algumas pessoas.
De um lado, surgem a todo instante especialistas em sofrimento psíquico, luto, depressão.

É um festival de gente que se empodera do tema e sai propagando pérolas nas redes sociais. Já vi até cantor "famoso" analisando os processos depressivos e diagnosticando.
Acho interessante que desmistifiquemos a depressão e o sofrimento, popularizando e naturalizando os conceitos. Acredito que quanto mais soubermos, mais fácil identificaremos situações de risco e buscaremos ajuda para nós mesmos ou pessoas próximas.

Mas é preciso cuidado com as informações que lemos porque tem muito leigo dando uma de especialista, analisando de forma muito parcial e pouco profunda.
Sem contar aqueles que têm uma opinião formada e saem como metralhadoras atirando e julgando cada fato que acontece sob sua própria ótica.

De tudo que eu tenho lido, ficam algumas reflexões:
- Depressão é uma doença séria e que ainda ganha conotações de "frescura" , de algo que depende única e exclusivamente da vontade da pessoa de sair dessa situação.
- As pessoas têm imensa dificuldade de se colocar no lugar do outro. Fazem julgamentos, comentários maldosos e desrespeitam o sofrimento alheio.
- As diferenças individuais não são levadas em conta. Porque fulano enfrentou um processo depressivo e "se curou" com trabalho, viagens ou com medicações, não significa que vai ser assim para beltrano. Cada pessoa tem aparatos subjetivos para lidar com as situações e cada contexto nos influencia de formas diversas.

Ainda estamos longe de recuperarmos a empatia e solidarizarmo-nos com a dor do outro. Acredito que às vezes é uma forma de nos defendermos contra aquilo que não entendemos.
Sofrimento faz parte da vida e quando ele se torna patológico, é preciso reconhecer nossas dificuldades e saber a quem recorrer. Depressão é doença e precisa ser acompanhada adequadamente por profissionais da psicologia e também da psiquiatria.
A quem está passando por isso, pesquise. Se tiver dúvidas se este é o seu caso, busque atendimento. Não espere chegar num ponto onde não se vê alternativas.
Para quem tem amigos ou familiares passando por dificuldades, dê suporte e procure não julgar. Faça com que busque ajuda e compreenda que a falta de vontade/motivação é característico dos processos depressivos.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

E agora, mãe?!

Bom, não é mais novidade que estamos esperando um bebê e isso é algo grandioso, maravilhoso. Mas com certeza grandioso, maravilhoso, não definem nem de longe a complexidade que é descobrir-se grávida e realizar as implicações atreladas a isso.

Com a gravidez, descobri um fato desconhecido para mim, mas uma dura e constante realidade: 20% das gestações terminam em aborto. E, não há nada que possamos fazer para impedir. É a natureza seguindo seu curso. Estive dentro dessa porcentagem e posso dizer: dói. É um sofrimento que não cabe em palavras.
Tive um aborto espontâneo às 5 semanas no final do último ano. Era pouco tempo de gestação, mas tempo suficiente para pesquisar data provável de parto, mudanças e desenvolvimento fetal nas primeiras semanas, pensar se seria menino ou menina, superar o susto de se imaginar grávida e tudo mais. E em questão de dias, isso vai por água abaixo. Deu para ter uma noção?

Por que estou contando isso se a gravidez atual corre às mil maravilhas? Aliás, estamos de 18 semanas (4 meses e 1 semana). Por que tentar uma gravidez após um aborto é muito assustador! Mas a lição é esperar com fé, porque segundo meu médico um aborto é um evento isolado e podemos seguramente desenvolver uma gravidez saudável após o prazo de recuperação adequado.
Impossível não criar uma neurazinha sequer, mas a gente não pode deixar isso influenciar no que acontece daqui pra frente.

Descobri também que aqueles sintomas de novela e filme, quando a mulher nem desconfia que está grávida e simplesmente desmaia, enjoa, vomita, tem dor nos seios e etc, não é com todo mundo.
Não tive nada disso. Desconfiei por palpite de familiar e por atraso menstrual.
Eu que sempre fui "enjoadinha" não tive um único enjoo. Tudo de bom.

Mas vou contar, gravidez não é doença, mas requer uma série de cuidados. Eu por exemplo, tenho tomado ácido fólico há mais de 6 meses (vitamina que previne má formação do bebê). Tive que abrir mão do café, do refrigerante, do meu amado idolatrado sushi, dos rodízios, do repelente (mosquitinho adora uma grávida!) e cuidar tudo o que eu como para passar o maior número de nutrientes possível para meu filho.

No mais, sigo com as mesmas ansiedades de toda e qualquer grávida. Contando cada semana, lendo tudo sobre cada fase, doida de curiosidade para saber o sexo do bebê (o safadinho não quis mostrar "as partes" na última eco). Por ser magrinha demais e ainda não ter ganhado peso, sofro bastante com meu corpo se expandindo para acomodar melhor o bebê. E ah, para quem ficou com uma pontinha de inveja porque não tive os desagradáveis enjoos, nessas últimas semanas tive alergias, gases e verruguinhas típicas da gestação. Iupi! (só que não).

De todas as coisas que aprendi (e vou aprendendo todo dia), posso dizer que é uma experiência única. A gente ama muito uma música e descobre que não existe som mais lindo do que ouvir o coraçãozinho do nosso filho. De resto, é um dia de cada vez, uma alegria de cada vez, um temor de cada vez. E o enxoval crescendo a cada dia com mimos dos familiares, dos amigos e do papai. Ah, e dessa mãe de primeira viagem.




domingo, 16 de fevereiro de 2014

Empatia por um dia

Empatia é a capacidade de compreender os sentimentos alheios, imaginando-se nas mesmas circunstâncias. É o popular "colocar-se no lugar do outro".
Acredito que entender o conceito seja algo muito simples. 

Encontrei essa imagem e instantaneamente selecionei-a, pensando ser importante o suficiente para as reflexões que venho fazendo nesses últimos meses.

Quantas vezes somos abordados durante a semana (ou até mesmo no dia) por outras pessoas? Quem nunca se viu numa sinaleira sendo invadido por panfletos de imóveis na planta, restaurantes, folhetos de supermercados e achou inconveniente ter que abrir a janela para receber um bolo de papéis, atire a primeira pedra. Ou mesmo na rua, nos deparamos com aqueles braços estendidos e muitas vezes nos desviamos, deixando aquela mão suspensa, portadora de inadequadas quantidades de "lixo" ali, na espera.

Às vezes nos sentimos tão interrompidos em nossos devaneios em situações semelhantes e tão incomodados que não percebemos que as pessoas que estão ali nos "atormentando" estão apenas desempenhando uma função, trabalhando. Como é difícil sairmos da nossa posição de "incomodados" para a posição de "incomodadores".

Vejo situações de pessoas que têm a maior dificuldade de colocar-se na pele do outro, chegando algumas vezes ao extremo da grosseria. 
Não estou dizendo que devemos deixar de achar que certas coisas são incovenientes. Não vou dizer que adoro lotar a lixeira do meu carro com panfletos que eu não vou usar para nada.
Estou convidando o leitor a pensar sobre isso, sobre como reagimos com as pessoas que estão ali, desempenhando um trabalho.
 Não é fácil ficar sob o sol, interpelando pessoas e oferecendo serviços que talvez não estejam nas necessidades delas.

O que estou sugerindo é, de vez em quando pelo menos, coloquemo-nos na pele do outro. Não nos esqueçamos que cada um é parte da engrenagem social, desempenhando seu papel e esperando não só por reconhecimento, mas por respeito.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Iniciando um ciclo

O primeiro dia do ano é simplesmente isso... o primeiro de 365 outros dias para reescrevermos nossa história. Mas acho importante e até mesmo imprecindível fazermos um balanço das nossas vidas em determinado momento.

Essa avaliação vai nos permitir pensar nas metas não concluídas, nos acertos, nos erros e nas decepções. Elementos esses que vão potencializar as oportunidades de acerto e construir as ferramentas para lidar com as dificuldades.

Meu 2013 foi emblemático. Daqueles anos difíceis de classificar em "bom" ou "ruim".
Tive momentos de imensa alegria. Pude viajar, conhecer lugares que eu só via nos filmes. Tive surpresas maravilhosas, sorri muito, fotografei muito.
Redescobri minha vocação profissional, fiz a diferença na vida das pessoas.

Mas também foi um ano em que conheci a trapaça, a puxada de tapete e a maldade gratuita. Me decepcionei com pessoas que eu gostava, me surpreendi com a frieza de quem um dia eu chamei de amigo.

Passei por momentos de perda, de impotência e de dor.
Aprendi que quem me ama vai dar um jeito de estar por perto apesar da correria, da falta de tempo.
Aprendi a valorizar quem se faz presente e a esquecer quem não faz diferença. Não procuro mais motivos nem justificativa para a indiferença alheia.

Comecei tirando da minha vida pessoas negativas, reclamonas e que não se movimentam para mudar sua própria realidade. Às vezes as pessoas não têm culpa, não o fazem por mal. Mas aprendi que eu também não tenho culpa e que cada um deve ser responsável por seus fracassos e suas vitórias. Tudo é uma questão de movimentar-se em busca do que se quer.

Não que eu tenha perdido minha vocação de me preocupar com as pessoas ou de querer ajudá-las. Mas passei a me preocupar mais comigo e com aqueles que estão a minha volta, se preocupando com a minha felicidade.

Que em 2014 a gente possa FAZER mais e planejar menos.
Que eu continue cercada de gente que FAZ, de gente de bem, de gente que ama e que sabe o que quer.

Adeus 2013... Bem-vindo 2014!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O dia em que a tristeza escreveu por mim

Certas coisas nos acontecem nessa vida pelo simples fato de que têm que acontecer. Algo me leva a crer que tudo tem um por quê, uma lição para nos ensinar, uma potência a nos fortalecer ou uma fraqueza que precisava ser superada.

Eis que chega um dia em que a vida da gente vira de cabeça para baixo, vira de ponta cabeça e a gente chega a perder o rumo. Ai a gente absorve os acontecimentos, tira proveito do que é positivo e passa a achar que essa era a reviravolta que a nossa vida estava precisando.

Mas algumas coisas são passageiras e vão embora sem maiores explicações.
O que antes eram planos, agora são lembranças.
Os sorrisos diante do incerto agora viram dúvidas sobre o futuro que há de vir.
E se instala um vazio estranho, desconhecido.

E a gente chega a se perguntar se vai conseguir passar por isso de novo de cabeça erguida, sem medo, sem exitações.
A gente é forte, eu sei.
Mas às vezes, só às vezes, bate aquela coisinha triste, aquela pontinha de medo, de impotência.

Tentamos ver as coisas pelo lado bom, mas acredito que frente aos tombos nos resta o direito de lamentar pelo que foi perdido, idealizado. Acho que aquilo que idealizamos e projetamos no futuro é o que mais dói perder.
O que não podemos é perder o desejo de seguir em movimento, de traçar novos caminhos.

Caminhar acompanhado aumenta o prazer da caminhada. Ter com quem dividir alegrias e tristezas é o diferencial na superação dos momentos difíceis.
O tempo é essencial para resignificar as vivências. É ele que vai mostrar os "por quês".

Nos resta ter paciência e aceitar aquilo que não podemos mudar e ir em busca daquilo que nos faz feliz.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Pelo bem coletivo

Trabalhar em equipe é uma exigência desse nova configuração do mercado de trabalho atual. As empresas solicitam cada vez mais flexibilidade, liderança e senso de coletivo de seus funcionários.

Hoje percebe-se que os empresários reconhecem os benefícios de uma equipe coesa e que sabe "pegar junto", unindo-se pelo resultado.

Mas por que ainda é tão difícil aos profissionais se adequarem a essas exigências? Já escrevi por aqui que trabalho em equipe não é colocar todo mundo numa sala em prol de uma tarefa comum. Isso por si só não garante a essência do trabalho em equipe verdadeiramente.

Para trabalharmos em equipe, mais importante do que flexibilidade é a habilidade em abrir mão do "eu" em favor do "nós". Nem sempre as pessoas pensam da mesma forma ou seguem os mesmos caminhos para chegar a um final.
Mesmo que o "líder" aponte o caminho a ser seguido, é preciso que ele tenha postura para ouvir os demais membros e repensar suas práticas o tempo todo.

Quando pensamos somente no nosso mérito e prestígio profissional, dificilmente os resultados serão tão satisfatórios quanto se dividíssemos as tarefas, os olhares. Sem contar que quando uma equipe não tem o apoio e respaudo adequado, a insatisfação se instaura, gerando outros problemas.
E ainda, quando um projeto fracassa, o peso é muito maior.

O importante é pensar no quanto estamos dispostos a colaborar.
Qual a nossa visão do trabalho que executamos?
Estamos em sintonia pelo bem coletivo?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Em busca da sintonia


Há dias em que as palavras faltam. Um turbilhão de emoções se passam dentro de nós. Coisas que eram certas acabam se desestabilizando e se esvaindo como fumaça entre os dedos.


Quando o caos se instaura, fica difícil encontrar a saída, visualizar possibilidades onde tudo se encontrava tão certo, tão calculado.

Como superar situações onde a gente se encontra sem opções? Como traçar novos caminhos quando trilhamos por uma estrada onde aparentemente todas as variáveis foram devidamente exploradas?

Em alguns momentos, a gente faz escolhas sem perceber que nossas decisões não são unânimes e que algumas delas não dependem apenas da nossa vontade.
Vibramos em uma sintonia e acreditamos que aqueles que nos cercam dividem as mesmas vontades e programações que traçamos.

Buscar o equilíbrio não é fácil. Esse processo faz com que saíamos de uma posição confortável e nos coloquemos em cheque, repensando nossas escolhas e pesando novos caminhos.
Nem sempre há novos caminhos. Às vezes para seguirmos é preciso deixar algumas coisas para trás.

Nos resta é pesar o que é realmente importante e possível de abandonar.
Ninguém nos disse que crescer seria fácil.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Tomando rumo de nossa vida


Mesmo as pessoas que vivem o momento, sem muita preocupação com planejamento, acabam se preocupando com o futuro.

O fato de planejarmos os detalhes, não nos garante que chegaremos ao caminho que trilhamos. É preciso ter flexibilidade para repensar as rotas.

Às vezes não estamos contentes com o momento que vivemos. Alguma coisinha fica ali, alimentando a insatisfação. Até que chega um ponto em que nada parece estar certo.

Mudamos de carro, de casa, de relação, de emprego. Mas lá no fundo, alguma coisa fica presa, tentando gritar de inquietação. De vez em quando não basta só mudar de atitude, é preciso mudar a forma de pensar.

Hoje li uma frase muito interessante para refletirmos a respeito da ideia, que diz que não adianta fazer dieta, é preciso mudar de hábito. Faz sentido. Afinal, a dieta é a solução momentânea. Se os hábitos (pensamentos) não mudarem, logo os quilos a mais encontram uma forma de voltar.

Para tomar outros rumos (ou encontrá-los) na nossa vida é preciso repensar os caminhos que já tomamos e lidar com as consequências de nossas escolhas. Para alguns esse processo é mais tranquilo e conseguirão fazê-lo sozinhos. Outros precisarão de ajuda profissional.

Buscar auxílio psicológico não é sinal de fraqueza. Ao contrário, é sinal de cuidado.
Quando conhecemos nossas limitações e nossas potencialidades, conseguimos mudar nossa perspectiva sobre as situações e pensar de forma diferenciada.
Tomar o rumo das coisas exige segurança para conhecer não só o caminho, mas o navegador que direciona nossas escolhas.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O adeus que não pudemos dar

Das certezas que a gente traz na vida, a mais inquestionável é a morte. Todos vamos morrer. Todas as coisas vivas possuem um ciclo que um dia termina. 
Mesmo com essa afirmação que nos é pregada desde o nascimento, acredito que seja a fonte das maiores dúvidas humanas. Incrível ambiguidade, não?

Nunca estamos preparados para a perda. Perder alguém querido nos traz um vazio e uma dor que beira ao sofrimento físico em alguns casos. 

E que dizer de alguém que tira sua vida? Como absorver a dor dessa perda? Como lidar com a frustração que fica a quem continua?
Já trabalhei com pessoas com sofrimento emocional intenso, desesperançadas e que veem a morte como única saída para sua dor. Já presenciei vivências familiares de quem perde alguém desse jeito abrupto. Nas duas situações, a dor presente é indescritível.

O que resta é não culpar-se pela ajuda que poderia ter dado, não culpar-se por - muitas vezes - não ter percebido a gravidade da situação no dia a dia de quem partiu. Cada ser humano é responsável por suas escolhas: boas ou ruins.
Cabe a cada um de nós o destino de nossas vidas e às vezes, nada poderia ter sido feito para evitar.

E dar tempo ao tempo, pois é só ele que coloca cada coisa em seu lugar.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O dia em que eu não consegui chorar

Às vezes uma avalanche de coisas acontece em momentos da nossa vida. Coisas boas, coisas ruins, mudanças. Isso é natural e até mesmo esperado. O cinto aperta quando muitas coisas acontecem ao mesmo tempo, não nos permitindo tempo para digerir tudo.

Cada pessoa reage aos eventos da vida de sua própria maneira. 
Cada pressão sofrida no nosso dia a dia produz reações diferentes (e isso também depende do nosso momento de vida): podemos nos revoltar, sentir raiva, ter ataques de riso ou choro... Enfim, vai depender das características de personalidade de cada um.

Sou daquelas que "aguenta no osso". Frente a uma dificuldade, procuro receber o problema, questionar as principais soluções, baixar a cabeça e trabalhar em cima dele. Por mais emoção negativa que a situação me cause, guardo o momento de desespero para outra ocasião.

Sempre fui uma "manteiga derretida" como dizia minha mãe. Então, nada mais normal do que me utilizar do choro para externalizar toda a carga que ficou dentro de mim. Chorar nos permite alívio. Parece que depois de uma sessão de choro, a gente fica mais leve, pronto para enfrentar as coisas com a cabeça erguida.
É, chorar tem suas vantagens sim!

No último mês, muitas mudanças se apresentaram, muitas informações novas, muitas questões profissionais para resolver. A pressa não me permitiu tirar um tempo para absorver cada uma delas e realojar dentro de mim. Uma coisa de cada vez!

Percebi o quanto tudo isso me afetou quando precisei resolver um problema e, depois de toda a correria, esqueci de coisas fundamentais para que o problema fosse solucionado.
Vi que minha cabeça estava mais bagunçada do que imaginei.

Eu, que sou toda organizada e controlada, percebi que às vezes é preciso parar e refletir sobre as coisas que nos afetam. Admitir que certas coisas nos machucam, nos ferem, é difícil, porque sugere que devemos nos movimentar para resolver essas questões.

Enquanto escrevia, li uma frase que fez todo sentido: "A única coisa que mantemos sob controle é a ilusão de que temos controle sobre alguma coisa" 

Mas não consegui chorar. Não dessa vez.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Encerrando etapas

Essa semana definitivamente está se apresentando uma semana atípica no meu repertório profissional. Minha trajetória envolve diversos locais e espaços, cada qual trazendo sua importância na minha formação contínua e contribuindo com minha bagagem profissional.

Já disse adeus antes. Já encerrei outras etapas e já reiniciei a caminhada outras vezes. Sei que meu gosto pelo desafio e minha flexibilidade vão me permitir muitos outros voos.

Mas hoje encerro minhas atividades em um dos locais onde trabalho e essa tarefa de desligamento está me surpreendendo de diversas formas.

Estar aqui, ter desenvolvido o trabalho que desenvolvi (mesmo que por pouco tempo) foi uma das coisas mais importantes (do meu ponto de vista) que eu já fiz. Seja pela complexidade do trabalho desenvolvido, seja pelas conquistas e resultados que meu tempo aqui trouxeram para a instituição.

Aprendi muito. Acho que ganhei mais do que pude oferecer. Cheguei sem saber o que esperar deste espaço e acabei me identificando profundamente com suas demandas.

Sei que minhas propostas vão perdurar. Sei que deixarei marcas da minha passagem por aqui. Olhando para cada um dos profissionais que comunico em tom de despedida o fechamento deste ciclo, sinto que fiz a diferença.


Sou muito feliz com minha escolha profissional. Sou grata pelos caminhos que essa profissão me permitiu trilhar.

Hoje, mais do que levar comigo as experiências dos dias vividos aqui, deixo um pedacinho meu, cheio de carinho pra quem fica.

domingo, 9 de junho de 2013

Planejar é preciso

Então a gente compra as passagens. Ai a gente pega o calendário e faz as contas de quantos dias ainda faltam para o tão esperado dia. E corre para a internet, viajando virtualmente a cada cantinho, alimentando ainda mais a expectativa de que tudo saia perfeito.

E os dias vão passando. A lista de afazeres aumenta. Afinal, tudo tem que estar alinhado. (A virginiana em mim falando). 
A gente conversa com um e outro e as dicas vão sendo registradas.
A medida que o tempo passa, a ansiedade dos outros também nos contamina. "Quando tu vais?" "Quanto tempo dura o voo?" ou ainda "Quando tu volta?". E a gente que está absorvido no antes, no agora, na tentativa de controlar um pouco as borboletas no estômago, volta a lembrar que o dia está chegando.

É um misto de sentimentos que estão em jogo: incompletude pelo trabalho que fica, a ansiedade pelas coisas que ainda vamos ver e viver, o medo de viajar para tão longe, a apreensão pelo desconhecido, a alegria de alçar voos mais altos... 

Mas tudo vale a pena! 
A cada "check list" vamos estabelecendo prioridades, organizando não só as coisas, mas os pensamentos. Aproveitamos cada nota para projetarmos as vivências futuras.

A saudade dos que ficam e a saudade que já sentimos das coisas que nem vimos.
Não há como programar (ou prever) como tudo vai acontecer. Mas planejar é vivenciar um pouquinho daquilo que ainda vamos experimentar.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Tempos de paz

Ah, o ser humano! Sempre inovando em matéria de dificultar ao invés de facilitar...

Viver situações adversas, passar por momentos em que claramente somos chamados a resistir ou desistir nos faz mais fortes, mais resilientes.
Aprendemos a reconhecer o terreno onde fazemos nosso plantio, aprendemos a reconhecer climas favoráveis/desfavoráveis ao longo do percurso e principalmente a não nutrir expectativas exacerbadas sobre a colheita, uma vez que esta depende de inúmeros fatores.

E seguimos em frente, fazendo render em cada espaço que ocupamos.

Por (in)felicidade do destino, passam por nossas vidas aqueles que pouco ou nada tem a contribuir para nossa evolução.
Alguns circulam sorrateiros, a espreita, só aguardando a oportunidade para nos apontar o dedo inquisidor.

Outros, por razões alheias e desconhecidas, veem-se injustiçados e tendem a atribuir toda e qualquer responsabilidade de suas frustrações (reais ou imaginárias) àqueles que de alguma forma encontram-se em situação mais favorável.

Há ainda aqueles a quem tentamos ajudar e nos retribuem com ingratidão.

E aquilo que achamos que já era lição aprendida, volta a nos assombrar.

Aprender o caminho, conhecer as variáveis. Nada disso garante coisa alguma quando lidamos com pessoas. Somos como caixinhas de surpresa. E surpresas nem sempre são 100% boas.

É, um dia a gente aprende.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A vida é um eco

Nessa vida, depois da morte, poucas coisas são tão certas quanto a lei do retorno.
Tudo o que fazemos para os outros, o universo conspira para devolver-nos em pequenas doses. Às vezes nem tão pequenas assim.

E não adianta achar que é conversa de espiritualista ou do povo que trabalha com energias. Basta observarmos pequenos detalhes da nossa vida e daqueles que nos cercam.

Quantas vezes desacreditamos das coisas e entramos numa maré de má sorte? As coisas parecem não dar certo e o mundo vira de cabeça pra baixo... O que estamos sinalizando para o mundo através de nossa postura e intenções?

E não adianta fazer "por baixo dos panos". Nossas atitudes deixam marcas. Nos outros e em nós mesmos. E vai ser preciso parar e refletir, hora ou outra.
Quando, de alguma forma, prejudicamos alguém em benefício próprio, a cobrança vem a galope!

Ecoamos a todo momento nossas intensões. Boas ou más, teremos que dar conta delas, mais cedo ou mais tarde.

domingo, 7 de abril de 2013

Às vezes é fácil perder a fé na humanidade

Essa é uma daquelas postagens que somente com o o título, em poucos caracteres, eu já teria terminado o texto e me faria entender de forma plena.

Mas acredito que valha a pena desenvolver um pouco mais a reflexão, porque sei que muitos já passaram por momentos de descrença nas pessoas. Humano é isso ai. Não?!

Ai a gente faz planos, se organiza e faz o plantio. E ai a colheita não é exatamente aquilo que a gente esperava. Plano "b", não é verdade?
Mas o plano "b" se transforma em "c" e a gente segue errante.

É normal bater um momento de desespero (ou dois... ou vários). Lidar com a frustração não é tarefa fácil nem para os evoluídos.

Além de todo o turbilhão de emoções duvidosas, outros atravessamentos se apresentam e algumas pessoas que considerávamos confiáveis, nos desapontam.

Há quem venha com aquela história de que esperamos muito das pessoas. Sim. Às vezes é assim. Mas elegemos amigos para isso. Ou não?

Então a gente reflete e chega a conclusão que as relações se tornam cada vez mais superficiais exatamente por isso: a gente teme confiar, contar com as pessoas e enfrentar a decepção.

Não significa que de agora em diante não vamos mais ter amigos ou desconfiarmos de todos que nos cercam.

Às vezes é justamente aquele que a gente menos espera que nos acolhe, e conosco nossas angústias.

De vez em quando a gente perde a fé. Mas não pode deixar que isso se torne uma constante. Acreditando já está complicado... Imagina se abandonamos as esperanças neste ser que chamamos humano?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O poder das escolhas

A reflexão é sempre bem-vinda, em qualquer instante do dia. Ela nos permite significar e resignificar acontecimentos, repensar e (re)agir.

Nos momentos de dúvida ou tristeza, os caminhos que escolhemos nem sempre ficam claros e os acontecimentos cotidianos acabam por parecer aleatórios e sem sentido. Por que as coisas acontecem? Como chegamos onde estamos?

Cada caminho que escolhemos é uma consequência que assumimos.
Deixamos coisas de lado para nos focarmos em outras. Escolher a" implica em de repente não escolher "b".

Somos responsáveis por aquilo que escolhemos hoje. Prestaremos contas mais além.
Quando agimos de forma inconsequente, colheremos frutos disso posteriormente. 

Não é uma questão de destino. É mais do que isso.
É poder entender que se seguimos por esta estrada, foi porque embarcamos nesta rota.
Isso não quer dizer que estamos certos ou errados. Cada caminho nos leva para lugares distintos e cabe a nós mesmos avaliarmos o que é melhor ou não.

Sempre é tempo de repensar o caminho. Sempre há escolha a ser feita.
Plantar é opcional. Colher é obrigatório.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Momentos de transição

Há dias em que tudo parece dar errado. As coisas não se encaixam, as energias não batem e a gente não se entende.

A gente põe a culpa nas mais diversas situações, porque na verdade às vezes é difícil encontrar um único fator que desencadeia uma insatisfação.

Quando as coisas desandam, dificilmente se perde uma única esfera da nossa vida. O trabalho se complica, a vida social fica comprometida e até mesmo os relacionamentos são afetados por momentos de crise.

E a gente clama por mudanças, estipula prazos e espera que as coisas se resolvam e se transformem para que se recupere a tão sonhada paz.

A má notícia é que depois de momentos de caos, de perda de equilíbrio, de nada adianta esperar por um fator que mude as nossas vidas. A mudança tem que partir de nós.
Sabe aquela frase que circula por ai: "seja a mudança que você quer no mundo"? Pois é. É disso que estou falando.

Para que as coisas mudem, nós temos que mudar. Nem que seja de perspectiva.
Quando a gente muda, as coisas e a forma de ver as coisas mudam.

Vamos respirar e pensar nas possibilidades. 
O que eu posso fazer na minha vida HOJE para deixar o meu AMANHÃ mais próximo daquilo que eu desejo?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O corpo fala

E chega o dia em que a gente cansa.
Cansa de esperar, cansa de se estressar, cansa de repetir as mesmas palavras furadas, cansa o corpo e a alma.

Às vezes o cansaço vem na hora. O fato acontece e pá! Bate a bobeira, a vontade de ficar na cama, de tomar um banho e não sair mais debaixo daquela água quente que cai sobre nossa cabeça.
Às vezes demora. Tem gente que é do tipo que guarda. Cada gotinha que cai fica ali, alterando o estado das coisas. Parece silenciosa... Só parece.

Chega o momento em que o copo transborda.
Escorre indiscriminadamente o líquido e molha toda a superfície. Uma vez molhada, não é mais possível nega o fato: o corpo fala! 
Enquanto a gente demora para escutar, ele sofre.

Ai vem a sessão interminável de sintomas físicos. 
A cabeça dói, o coração dispara. 
Ou a gente pára ou continua negando ao corpo (e a mente) o direito de se expressar apesar da boca dizer não.

O corpo pede: "descansa". A consciência diz: "não".
O corpo paga.